Ivan Baker

Nem todos vão conhecer o nome Ivan Baker. Na atual geração evangélica no Brasil, muitos nem mesmo reconhecerão o nome discipulado ou o mover de Deus associado a ele. O fato, porém, é que a igreja do Senhor aqui e pelo mundo afora foi tremendamente impactada por esse mover de Deus na Argentina, que começou por volta de 1967 e tem contribuído substancialmente, até hoje, para o processo de reforma da igreja e restauração de partes importantes da nossa herança que haviam sido perdidas durante os séculos passados. (Para uma abordagem mais completa desta parte da história da Igreja no século XX, veja A História Que Não Foi Contada, por John Walker e outros, Worship Produções, capítulo 8.)

Ivan Baker, um dos líderes que Deus usou nesse mover, faleceu no penúltimo dia do ano de 2005. Sem dúvida alguma, viveu “uma vida de impacto”, não só na sua igreja ou cidade, mas aonde quer que fosse, inclusive aqui no Brasil.

A seguir, embora de forma muito limitada e resumida, alguns fatos e aspectos importantes sobre sua vida.

Dados biográficos

Nascimento: 28/08/1922, em Villa Maria, Córdoba, Argentina, filho de missionários ingleses.

Conversão: aos 15 anos de idade.

Chamado do Senhor: com aproximadamente 25 anos de idade. Depois de mudar-se para Buenos Aires, participou de uma reunião numa congregação dos Irmãos Livres e, enquanto ouvia o sermão sentado no último banco, Deus lhe perguntou: “Ivan, em que estás pensando?”. Envergonhado, respondeu honestamente que estava pensando que podia pregar melhor do que a pessoa lá na frente. Deus, então, lhe disse: “Não, Ivan, tenho para ti um púlpito maior”. Ele se sentiu orgulhoso de que fosse assim.

Mas a sua surpresa maior aconteceu no dia seguinte enquanto viajava para o trabalho num ônibus. Ali ouviu uma vez mais a voz de Deus que agora lhe dizia: “Ivan, este é o teu púlpito”. Foi assim que Ivan recebeu o chamado do Senhor para ganhar almas perdidas em todo o lugar para onde fosse, onde quer que se encontrassem os pecadores.

Esse chamado Ivan cumpriu até a sua última semana de vida, de acordo com seu filho, Danny Baker. Não havia funcionário de estação, garçom, policial que não ouvisse dele a palavra do Senhor. Ele não precisava de tempo para a obra. O seu ir e vir cotidiano era o instrumento que lhe permitia entregar a palavra.

Casamento: em 1955, com Eslava (Glória), filha de imigrantes da Bulgária. Tiveram três filhos: Mônica, Alex e Danny.

Contribuição no Ministério

Ivan Baker foi um evangelista durante toda sua vida. Nunca perdeu seu fervor nem sua “prática” de levar a palavra da vida diretamente aos perdidos. Nunca passou essa responsabilidade a outros “subordinados”. No entanto, não era um evangelista que se preocupava somente com a conversão. Com 42 anos, sentiu-se incomodado com a diferença entre o cristianismo da igreja que pastoreava e o da igreja primitiva. Começou a buscar a Deus com coração aberto e a reaprender tudo. Foi a partir daí que descobriu o batismo no Espírito Santo e a palavra discípulo. Viu que a salvação é o princípio de um grande caminho de transformação.

Não conseguindo, a princípio, passar o que aprendera para a sua igreja, Ivan começou a colocá-lo em prática em sua própria casa. Convidando vizinhos para tomar café, no primeiro ano já havia ganhado 70 para Cristo e estava discipulando-os de acordo com a nova luz que recebera. Finalmente, apresentou algumas pessoas deste novo grupo à sua igreja. Ao ver a maturidade e crescimento desses recém-convertidos, os antigos crentes se humilharam e se dispuseram a aprender.

Foi assim que começou uma parte da revolução que abalou Buenos Aires e muitos outros lugares. Enquanto outros líderes se destacaram em aspectos teológicos ou como articuladores do que Deus estava fazendo, Ivan Baker contribuiu com a parte prática, demonstrando como conduzir os novos convertidos a uma vida fundamentada no caráter de Jesus.

 Fonte: www.frutificai.webnode.com / Por Danny Bakere e Telmo Weber

Watchman Nee

Watchman Nee (Ní Tuòshēng, 1903 – 1972) foi um influente líder cristão chinês no período anterior ao regime comunista. Nee converteu-se ao cristianismo aos 17 anos de idade quando era aluno da Faculdade Trinity em Fu Tchow, preferindo ser evangelista a ter carreira universitária. Após a sua conversão mudou seu nome de Nee Shu-tsu para Nee To-sheng, pois havia um costume local de que sempre que acontecia um evento que mudasse uma pessoa, esta pessoa mudava de nome,no caso de Nee, foi sua conversão ao Cristianismo. Depois de ter sido levantado pelo Senhor para realizar Sua missão, ele adotou um novo nome em inglês “Watchman” (Sentinela) e um novo nome chinês “To-sheng”, o qual significa “alarme de sentinela”, porque ele se considerava como uma sentinela levantada para soar um alarme na noite escura.

Inicialmente trabalhou com a Igreja Metodista, porém, descontente com as igrejas denominacionais, Nee aderiu ao restauracionismo. A congregação de Nee em Xangai logo cresceu, chegando a ter 3000 membros, obrigando-o a realizar algumas mudanças – ele multiplicou a igreja em 15 grupos familiares. Apelidado de “Little Flock” (“Pequeno Rebanho”), cada grupo familiar, centrado no evangelismo, consistia de até 200 membros. Na década de 1940 havia 470 grupos afiliados à igreja de Xangai. Um dos seus discípulos e cooperadores mais famosos foi Witness Lee.

Em 1941, com a ocupação de Xangai pelos japoneses, foram impostas restrições sobre os membros da igreja e as finanças foram reduzidas antecipando o que ainda estava por vir. Nee e seu irmão estabeleceram uma empresa farmacêutica para ajudar a complementar as necessidades financeiras da igreja.
Em 1949 o Partido Comunista Chinês derrubou o governo nacionalista e proclamou a República Popular da China. No começo, a igreja ficou esperançosa com o novo governo, mas após dois anos a situação começou a mudar quando os comunistas revelaram os seus planos de controlar a igreja.

Através de seu Movimento da Reforma da Tripla Autonomia, o governo visava tornar a igreja auto-governada, auto-sustentada e auto-propagada. Ela foi colocada sob a autoridade da Agência de Assuntos Religiosos, a qual pressionou a igreja a persuadir os missionários a deixarem a China, expurgando do país os “imperialistas’.

Durante esse tempo, os grupos familiares resistiram bravamente a se unir à Igreja Cristã Nacional (sob o controle do governo comunista), considerada como uma organização fantoche. Milhares dos seus membros foram mortos ou feitos prisioneiros. Freqüentemente infiltrada por informantes comunistas, as igrejas eram forçadas a realizar reuniões para encorajar a autocrítica e a reforma. Os pastores foram acusados de capachos dos estrangeiros e Nee logo foi acusado de liderar um grande sistema secreto que distribuía veneno anti-revolucionário.

Em 1952 Nee foi preso e submetido a quatro anos de “reeducação”. Antes de ser preso, ele ajudou a organizar várias igrejas subterrâneas.
Em 1956 ele e outros da membros da igreja foram a condenados a quinze anos na Primeira Prisão Municipal de Xangai.

Ele deveria ter sido posto em liberdade em 1967, durante a Revolução Cultural, mas teve a sentença ampliada, e o governo deu início a outro ataque furioso contra a igreja. Os cultos foram interrompidos e todos os edifícios religiosos deveriam ser “secularizados”. Os comunistas prometeram libertar Nee se ele concordasse em não voltar a pregar. Nee não aceitou e foi transferido para outra prisão onde acabou morrendo. As evidências indicam que foi assassinado dentro da prisão poucos meses antes da data programada para sua libertação, tendo sido seu corpo cremado e entregue aos familiares como cinzas.

Nee foi um líder cristão extraordinário, cuja visão de uma igreja nacional na China preparou os crentes para a perseguição sob o comunismo. Seus escritos foram traduzidos em vários idiomas, inclusive o português, e estão sendo impressos até hoje. Adaptado de 70 Great Christians (70 Grandes Cristãos) de Geoffrey Hanks.

Watchman Nee tornou-se cristão na China continental, em 1920, aos dezessete anos, e começou a escrever no mesmo ano. Durante os seus quase 30 anos de ministério, manifestou-se claramente como um dom único do Senhor para o Seu Corpo e para o Seu mover nesta era. Em 1952, foi encarcerado devido à sua fé, tendo continuado preso até à data da sua morte em 1972. As suas palavras, porém, permanecem uma fonte abundante de revelação espiritual e suprem cistãos em todo o mundo.

As palavras do ministério de Watchman Nee estão atualmente preservadas em centenas de livros editados principalmente nas línguas chinesa e inglesa. Em linhas gerais, abrangem dois aspectos: 1) a espiritualidade cristã; 2) a organização da igreja cristã. O primeiro aspecto é, geralmente, muito apreciado pelos cristãos. Já o segundo aspecto é objeto de controvérsias, pois o irmão Nee advogava o retorno à forma primitiva de organização da igreja, qual seja, em cada cidade deveria haver uma só igreja. De qualquer forma, a sua obra merece ser divulgada e conhecida, pois é muito rica e inspiradora, fruto de uma vida inteira de comunhão e sofrimentos com Cristo.

Frases
“… Na minha doença, o meu coração ainda permanece cheio de alegria” (exerto da última carta de Watchman Nee, escrita no dia da sua morte)
É nossa responsabilidade que Deus nos dê luz para podermos reconhecer a poderosa mão do Espírito Santo e disposição de nos submetermos a ela, reconhecendo que tudo o que Ele faz é certo.

A menos que sejamos tratados e quebrantados por meio da disciplina, estaremos restringindo Deus. Sem o quebrantamento do homem exterior, a igreja não pode ser um canal de Deus.

Citações de A Liberação do Espírito de Watchman Nee.

Paul Washer

Paul Washer se tornou um cristão, enquanto estudava na Universidade do Texas. Ele completou os seus estudos de graduação e inscrito no Southwestern Theological Seminary, onde obteve o seu Mestrado em Teologia. Depois de formado, ele se mudou para o Peru e serviu como missionário.

Paul ministrou como missionário no Peru por 10 anos, período durante o qual fundou a Sociedade Missionária HeartCry para apoiar plantadores de igrejas peruanas. Trabalho HeartCry agora suporta mais de 100 missionários nativos em mais de 20 países na Europa Oriental, América do Sul, África, Ásia e Oriente Médio.

Paul agora serve como um dos trabalhadores com a Sociedade Missionária HeartCry (www.heartcrymissionary.com). Ele e sua esposa Charo têm três filhos: Ian, Evan, e Rowan.

Leonard Ravenhill

Leonard Ravenhill (1907-1994) foi um escritor e evangelista cristão britânico que focalizava em assuntos como oração e avivamento. É mais conhecido por desafiar a igreja moderna e seu mais notável livro é “Por que Tarda o Pleno Avivamento?”

Biografia
Nascido em Leeds, Yorkshire, na Inglaterra, Ravenhill foi educado na Cliff College, Inglaterra, aos pés do ministério de Samuel Chadwick. Foi um estudante de História da Igreja e um perito no campo do avivamento. Suas reuniões ao longo da guerra atraiu grandes multidões na Grã-Bretanha, e como resultado, muitos convertidos devotaram-se ao ministério cristão e aos campos de missões mundiais.

Em 1939, casou-se com uma enfermeira irlandesa chamada Martha. O casal teve três filhos: Paul, David e Philip. Paul e David são ministros do Evangelho, e Philip é professor.

Em 1959, Ravenhill e sua família se mudaram da Grã-Bretanha para os Estados Unidos. Nos anos 60, viajaram pelo país pregando o avivamento em reuniões evangelísticas.

Nos anos 80, Ravenhill se mudou para uma casa perto de Lindale, Texas, a curta distância do Rancho do Ministério dos Últimos Dias. Ele regularmente ensinava no M.U.D. e foi um mentor para Keith Green. Também passou um tempo lecionando na Bethany College of Missions em Minnesota, e algum tempo também em Seguin, Texas.

Entre os que foram influenciados por Ravenhill, estão Ray Comfort, Gregory Mcnutt, Ravi Zacharias, Tommy Tenney, Steve Hill, Charles Stanley, Bill Gothard, Paul Washer, Dan Brodeur, Sean Cabral Myers, Brett Mullett, e David Wilkerson.

Leonard Ravenhill foi amigo íntimo do pastor e escritor A.W. Tozer, e ele mesmo um escritor prolífico.

Em seus ensinos e livros, Ravenhill pregou sobre as divergências que ele percebeu entre a Igreja do Novo Testamento e a Igreja de seu tempo, e clamava pela adesão aos princípios do avivamento bíblico.

Morte
Tozer disse a respeito de Ravenhill:
A homens como este, a Igreja tem um débito muito grande a ser pago. O curioso é que ela raramente tenta pagá-lo enquanto está vivo. Ao invés disso, a próxima geração ergue seu sepulcro e escreve sua biografia — como se fosse instintivamente e envergonhadamente quitar uma obrigação que a geração anterior ignorou completamente.

Quando faleceu em Novembro de 1994, Ravenhill foi enterrado no mesmo cemitério que Keith Green. Em sua lápide está escrito:
Topo: “Carregado por Anjos”
Base: “AS COISAS PELAS QUAIS VOCÊ TEM VIVIDO VALEM A MORTE DE CRISTO?”

John Piper

John Piper é o pastor de Preaching na Preaching at Bethlehem Baptist Church, Minnesota. Ele cresceu em Greenville, Carolina do Sul, e estudou na Wheaton College, onde pela primeira vez sentiu o chamado de Deus para entrar no ministério. Ele passou a obter títulos acadêmicos do Seminário Teológico Fuller (BD) e da Universidade de Munique (D.theol.). Por seis anos ele ensinou Estudos Bíblicos na Faculdade Bethel, em St. Paul, Minnesota, e em 1980 aceitou o chamado para servir como pastor em Belém. John é o autor de mais de 30 livros e mais de 25 anos de sua pregação e ensino está disponível gratuitamente na desiringGod.org. John e sua esposa, Noel, tenho quatro filhos, uma filha, e um crescente número de netos.

John Foxe

John Fox (ou Foxe) nasceu em Boston, no condado de Lincolnshire (Inglaterra) em 1517, onde se diz que seus pais viviam em circunstâncias respeitáveis. Ficou órfão de pai numa idade precoce, e apesar de que sua mãe logo voltou casar, permaneceu sob teto paterno. Por sua precoce exibição de talento e disposição para o estudo, seus amigos sentiram-se impelidos a enviá-lo a Oxford, para cultivá-lo e levá-lo à maturidade.

Durante sua residência em Oxford, se distinguiu pela excelência e agudeza de seu intelecto, que melhorou com a emulação de seus companheiros de estudos, junto com um zelo e atividade incansáveis. Estas qualidades cedo lhe ganharam a admiração de todos, e como recompensa pelos seus esforços e conduta gentil foi escolhido “Companheiro” do Magdalen College, o que era considerado como uma grande honra na universidade, e que poucas vezes era concedido: só em casos de grande distinção. A primeira exibição de seu gênio foi na poesia, e compus algumas comedias latinas, que ainda existem. Mas logo dirigiu sua atenção a uma questão mais séria, o estudo das Sagradas Escrituras: e a verdade é a que se aplicou à teologia com mais fervor que prudência, e descobriu sua parcialidade para a Reforma, que então tinha começado, antes de conhecer os que a apoiavam, ou os que a tinham protegido. E esta circunstância veio a ser a origem de seus primeiros problemas.

Diz-se que afirmou em muitas ocasiões o que primeiro que o levou a seu exame da doutrina papista foi que viu diversas coisas muito contraditórias entre si impostas sobre os homens ao mesmo tempo; por esta razão sua resolução e esforço de obediência à Igreja sofreram uma certa sacudida, e gradativamente se estabeleceu um desagrado para o resto.

Seu primeiro cuidado foi pesquisar a história antiga e a moderna da Igreja; determinar sua origem e progresso; considerar as causas de todas aquelas controvérsias que tinham surgido no intervalo, e sopesar diligentemente seus efeitos, solidez, fraqueza, etc.

Antes de chegar aos trinta anos tinha estudado os pais gregos e latinos, e outros autores eruditos, as transações dos Concílios e os decretos dos consistórios, e tinha adquirido um conhecimento muito competente da língua hebraica. A estas atividades dedicava freqüentemente uma parte considerável da noite, ou até a noite inteira; e a fim de relaxar sua mente depois de um estudo tão incessante, acudia a um bosque perto do colégio, lugar muito freqüentado pelos estudantes no final da tarde, devido a sua recôndita escuridão. Nestes passeios solitários freqüentemente o ouviam emitir profundos soluços e suspiros, e com lágrimas derramar suas orações a Deus. Estes retiros noturnos, posteriormente, deram origem às primeiras suspeitas de seu afastamento da Igreja de Roma. Pressionado para dar uma explicação de sua conduta, rejeitou inventar desculpas: expôs suas opiniões e assim, por sentença do colégio, foi declarado convicto, condenado como herege e expulso.

Seus amigos, ao conhecerem o fato, sentiram-se profundamente ofendidos, e lhe ofereceram, quando tinha assim rejeitado os seus, um refúgio em casa de Sir Tomás Lucy, de Warwickshim, aonde foi chamado como preceptor de seus filhos. A casa está perto de Stmatford-on-Avon, e foi este lugar que, poucos anos depois, foi cena das tradicionais expedições de pesca clandestina do menino Shakespeare. Fox morreu quando Shakespeare tinha três anos.
Posteriormente, Fox se casou na casa de Sir Lucy. Mas o temor dos inquisidores papistas os fez fugir rápido dali, porquanto não se contentavam com castigar delitos públicos, mas começavam também a meter-se nos segredos particulares de famílias. Começou a considerar o que devia fazer para livrar-se de maiores inconvenientes, e resolveu dirigir-se à casa de seu sogro.

O pai de sua mulher era cidadão de Coventry, e suas simpatias não estavam contra ele, e era provável que o pudesse persuadir, por causa de sua filha. Resolveu primeiro ir à casa dele, mas antes, mediante cartas, ver se seu sogro o receberia ou não. Assim fez, e como resposta recebeu a seguinte mensagem: “Que parecia-lhe difícil aceitar em sua casa alguém que sabia que era culpável e que estava condenado por um delito capital; e que tampouco ignorava o risco em que incorreria ao aceitá-lo; não obstante, agiria como parente, e relevaria seu próprio perigo. Se mudasse de idéia, podia acudir, sob a condição de que ficaria tanto tempo como desejar; mas se não podia persuadir-se, que devia contentar-se com uma estadia mais breve, e não pôr em perigo nem a ele nem a sua mãe”.

Não se devia rejeitar nenhuma condição; além disso, foi secretamente aconselhado por sua sogra a acudir, e para não temer a severidade de seu sogro, “porque talvez era necessário escrever como o fazia, mas se se der a ocasião, compensaria suas palavras com ações”. De fato, foi melhor recebido por ambos do que havia esperado.

Deste modo se manteve oculto durante um certo tempo, e depois empreendeu viagem a Londres, durante a última parte do reinado de Henrique VIII. Sendo desconhecido na capital, encontrou-se frente a muitas dificuldades, e até ficou reduzido ao perigo de morrer de fome, se a Providência não se tivesse interposto em seu favor da seguinte forma:

Um dia, estando Fox sentado na Igreja de São Paulo, esgotado após longo jejum, um estranho sentou-se a seu lado e o cumprimentou cortesmente, colocando uma soma de dinheiro em sua mão e exortando-o a recuperar o bom ânimo. Ao mesmo tempo o informou que depois de poucos dias se abririam a ele novas expectativas para seu futuro mantimento. Nunca pôde saber quem era o estranho, mas depois de três dias recebeu um convite da Duquesa de Richmond para encarregar-se da educação dos filhos do Conde de Surrey, que estava encarcerado na Torre, junto com seu pai, o Duque de Norfolk, pelos ciúmes e a ingratidão do rei. Os filhos assim confiados a seu cuidado foram Tomás, que sucedeu no ducado; Henry, depois Conde de Northampton; e Jane, que chegou a ser Duquesa de Westmoreland. E no cumprimento destes deveres deu plena satisfação à duquesa, a tia dos meninos.

Estes dias de calma prosseguiram durante a última parte do reinado de Henrique VIII e os cinco anos do reinado de Eduardo VI, até que Maria herdou a coroa, e, pouco depois de sua chegada, deu todo o poder aos papistas.

Por esse tempo Fox, que ainda estava sob a proteção de seu nobre pupilo, o duque, começou a suscitar a inveja e o ódio de muitos, particularmente do doutor Gardiner, que era então Bispo de Winchester, e que posteriormente chegou a ser seu maior inimigo.

Fox percebeu isto, e vendo que começava uma terrível perseguição, começou a pensar em abandonar o reino. Tão pronto como o duque conheceu suas intenções, tentou de persuadi-lo para permanecer ali, e seus argumentos foram tão poderosos e expressados com tanta sinceridade que abandonou o pensamento de deixar seu asilo por enquanto.

Naquele tempo o Bispo de Winchester tinha uma grande amizade com o duque (tendo sido pelo apoio de sua família que havia negado a dignidade da qual então gozava), e freqüentemente o visitava para apresentar seu serviço, quando pediu várias vezes poder ver seu antigo tutor. No princípio o duque negou a sua petição, alegando numa ocasião sua ausência e outra vez, indisposição. No final aconteceu que Fox, não sabendo que o bispo estava em casa, entrou na sala em que o duque e o bispo estavam conversando; porém, ao ver o bispo, retirou-se. Gardiner perguntou de quem se tratava, respondendo o duque que era “seu médico, que era algo rude, sendo recém chegado da universidade”. “Gostei de sua cara e de seu aspecto”, respondeu o bispo, “e quando tiver ocasião o farei chamar”. O duque entendeu estas palavras como presságio de um perigo iminente, e considerou que era hora de que Fox abandonasse a cidade, e inclusive o país. Assim, fez preparar tudo o necessário para sua fuga em secreto, enviando um de seus servos a Ipswich para alugar uma nave e fazer todos os preparativos para a partida. Também arranjou a casa de um de seus servos, um granjeiro, para alojamento até que o vento fosse favorável. Tudo disposto, Fox despediu-se de seu nobre protetor, e com sua mulher, que então estava grávida, partiu em segredo rumo à nave.

Apenas se tinham alçado a vela quando sobreveio uma violenta tempestade, que durou todo o dia e toda a noite, e que no dia seguinte os empurrou de volta para o mesmo porto de onde tinham partido. Durante o tempo em que a nave esteve no mar, um oficial, enviado pelo bispo de Winchester, tinha irrompido na casa do camponês com uma ordem de arresto contra Fox ali onde estivesse, para devolvê-lo à cidade. Ao saber das notícias, o granjeiro alugou um cavalo, sob a aparência de partir de imediato da cidade; porém voltou secretamente aquela mesma noite, e fez acordo com o capitão da nave que zarpasse rumo a qualquer lugar assim que o vento mudasse, somente desejando que saíssem, sem duvidar que Deus prosperaria sua empresa. O marinheiro aceitou, e depois de dois dias seus passageiros desciam em terra, sãos e salvos, em Nieuport.

Depois de passar uns poucos dias naquele lugar, Fox empreendeu viagem rumo a Basiléia, onde encontrou um grupo de refugiados ingleses que tinham abandonado seu país para evitar a crueldade dos perseguidores, e se associou a eles e começou a escrever sua “História dos Atos e Monumentos da Igreja”, que foi publicada primeiro em latim em Basiléia, em 1554, e em inglês em 1563.

Durante aquele intervalo, a religião reformada voltou a florescer na Inglaterra, e a decair muito a facção papista após a morte da Rainha Maria. Isto induziu a maioria dos exilados protestantes a voltar ao seu país natal.

Entre outros, ao aceder Elisabete no trono, também voltou Fox. Ao chegar, achou em seu anterior pupilo, o Duque de Norfolk, um fiel e ativo amigo, até que a morte o privou de seu benfeitor. Depois deste acontecimento, Fox herdou uma pensão que o duque havia-lhe legado, e que foi ratificada por seu filho, o Conde de Suffolk.

E não se deteve aqui o bom sucesso de Fox. Ao ser recomendado à rainha pelo seu secretário de estado, o grande Cecil, sua majestade o nomeou assessor de Shipton, na catedral de Sallsbury, o qual foi de certo modo obrigado a aceitar, porque foi muito difícil de ser convencido a isso.

A voltar a instalar-se na Inglaterra, dedicou-se a revisar e ampliar seu admirável Martirológio. Com um cuidado prodigioso e um estudo constante terminou a sua célebre obra em onze anos. tratando de alcançar uma maior correção, escreveu cada linha deste extenso livro por si mesmo, e transcreveu sozinho todos os registros e documentos. Porém, como conseqüência de um trabalho tão fervoroso, ao não deixar parte de seu tempo livre de estudo e não se permitir nem o mínimo recreio que a natureza reclama, sua saúde ficou tão reduzida, e tão consumido e alterado, que aqueles amigos e parentes seus que só o viam de tanto em tanto mal podiam reconhecê-lo. mas, embora cada dia se esgotava mais, prosseguiu com seus estudos com tanta diligência como costumava, e ninguém pôde persuadi-lo a reduzir o ritmo de seus trabalhos. Os papistas, prevendo o prejudicial que seria para a causa deles aquela história de seus erros e crueldades, recorreram a todas as artimanhas para rebaixar a reputação de sua obra; porém sua malícia acabou sendo favorável tanto para o próprio Fox como para a Igreja de Deus em geral, porquanto fez com que o livro fosse intrinsecamente mais valioso, ao induzir a sopesar, com a mais escrupulosa atenção, a certeza dos fatos que registrava, e a validade das autoridades das que obtinha sua informação.

Mas em quanto se achava assim infatigavelmente dedicado a impulsionar a causa da verdade, não descuidou por isso os outros deveres de sua posição; era caridoso, compassivo e solícito ante as necessidades tanto espirituais como temporais de seus próximos. Visando ser útil de modo mais extensivo, embora não tinha desejos de cultivar a amizade dos ricos e dos poderosos a seu próprio favor, não declinou a amizade daqueles que a ofereciam desde as mais elevadas posições e nunca deixou de empregar sua influência entre eles em favor dos pobres necessitados. Como conseqüência de sua probidade e caridade bem conhecidas, foram freqüentemente entregues somas de dinheiro por parte de pessoas ricas, dinheiro que aceitava e distribuía entre os que padeciam necessidades. Também acudia ocasionalmente à mesa de seus amigos, não tanto em busca de prazer como por cortesia, e para convencê-los de que sua ausência não era ocasionada por temor a expor-se às tentações do desejo. Em resumo: seu caráter como homem e como cristão era irrepreensível.
Embora as recentes lembranças das perseguições sob Maria a Sanguinária agregaram amargor a sua pluma, é de destacar que ele era pessoalmente o mais conciliador dos homens, e embora rejeitasse de coração a Igreja de Roma na qual tinha nascido, foi um dos primeiros em tentar a concórdia dos irmãos protestantes. De fato, foi um verdadeiro apóstolo da tolerância.

Quando a peste açoitou a Inglaterra em 1563, e muitos abandonaram seus deveres, Fox permaneceu em seu posto, ajudando os desvalidos e agindo como “portador- de esmolas” dos ricos. Se disse dele que jamais pôde refutar ajuda a ninguém que o pedir em nome de Cristo. Tolerante e com um grande coração, exerceu sua influência perto da Rainha Elisabete para confirmá-la em sua intenção de manter a cruel prática de dar morte aos que mantiverem suas convicções religiosas contrárias. A rainha tinha-lhe em grande respeito, e se referia a ele como “Nosso Pai Fox”.

Fox teve gozo nos frutos de sua obra enquanto ainda vivia. Seu livro viu quatro grandes edições antes de sua morte, e os bispos deram ordem de que fosse colocado em cada igreja catedral da Inglaterra, onde amiúde estava acorrentado, como a mesma Bíblia naqueles tempos, num tripé, ao qual tinha acesso o povo.

No final, tendo brindado longo serviço tanto à Igreja como ao mundo mediante seu ministério por meio de sua pluma, e pelo brilho impecável de uma vida benevolente, útil e santa, entregou humildemente sua alma a Cristo, em 18 de abril de 1587, aos setenta anos de idade. Foi sepultado no presbitério de St. Giles, em Cripplegate, paróquia na qual tinha sido vicário durante certo tempo, no começo do reinado da rainha Elisabete.

(Extraído de O Livro dos Mártires – © CPAD, 2008.)

Irmão Yun

Ele nasceu em 1958, na província de Henan, China. De um lar extremamente pobre e filho de um pai de temperamento violento, viu a situação de seu lar piorar quando inimigos acusaram seu pai perante a Guarda Vermelha (Polícia do governo comunista chinês), sendo este espancado e torturado várias vezes e até quase a morte, pela acusação de ser contra a política do governo.

Como a Bíblia era proibida e pregar o evangelho era um crime contra o Estado, uma experiência com Cristo só poderia acontecer de uma forma extremamente sobrenatural. Mas foi exatamente assim que aconteceu com sua mãe, ao ouvir certa vez uma voz compassiva e carinhosa sobre o amor de Jesus. O seu curto entendimento não impediu que ela conduzisse sua família a crer que somente Jesus era a esperança para salvar da morte seu marido que estava à beira da morte.

O irmão Yun bradava “Jesus, cura o Papai”. O Senhor operou um milagre e restabeleceu sua saúde. O Senhor entrou na história da família de Yun, quando sua mãe passou a pregar o evangelho e a reunir irmãos em sua casa, algo considerado crime de traição ao governo comunista.

A Bíblia
Yun quase enlouqueceu por uma Bíblia. Nunca tinha sequer visto uma bíblia, era crime possuí-la. Não conhecia nada das escrituras. Sua mãe além de não conhecer também nada, era analfabeta, tudo que fazia era por absoluta revelação do Espírito Santo.

Passou a orar freneticamente pedindo uma Bíblia, passando momentos longos de jejum. Seus pais pensaram que ele estava enlouquecendo. Após três meses de oração, um dia, às 4 horas da madrugada, quando Yun estava orando, teve uma visão:

“Na visão eu subia uma colina íngreme, tentando empurrar um carrinho pesado … Nesse momento vi três homens descendo a colina na minha direção … Um deles empurrava um carrinho cheio de pães…e perguntou-me: ‘- Você está com fome?’ Sim… E eu chorei , pois minha família era extramamente pobre e tínhamos perdido tudo por causa da doença do papai … vivíamos de ajuda dos outros. Ele pegou um pacote contendo pães e disse: ‘- Coma imediatamente’. O pacote imediatamente virou uma Bíblia. Logo acordei e passei a procurar a Bíblia, e ao descobri que tinha sido só um sonho, comecei a chorar incontroladamente. Meu pai me segurou com força e bradou: ‘- Senhor, tem misericórdia do meu filho. Não permitas que ele enlouqueça.’ De repente alguém bateu a porta e chamou por mim … eu corri e perguntei se ele estava trazendo pão para mim … o homem respondeu: ‘- Temos um banquete para você’. Abri a porta e vi que era o mesmo homem do sonho, com um pacote vermelho, tendo uma Bíblia dentro. Os dois logo se foram. Mais tarde descobri que era de um servo do Senhor que tinha sofrido violentamente nas mãos governo por causa de sua fé em Jesus … ele teve uma visão que deveria dar uma Bíblia para um jovem em uma vila distante.

O Evangelismo
Como carregar a Bíblia poderia lhe causar a morte, o irmão Yun passou a decorá-la. Rapidamente memorizou os evangelhos. Tinha apenas 16 anos, quando o Senhor expressamente começou a lhe enviar a lugares diversos para pregar o evangelho. Na primeira vez, quando o Senhor lhe falou sobre uma vila próxima, quando ele estava na madrugara orando e decorando o livro de Atos, logo pela manhã encontrou um homem desconhecido que lhe disse: ‘Recebi a incumbência de levá-lo rumo ao oeste, até a Vila Gao, para você falar do evangelho. Estamos em jejum e oração há três dias por isto.’ Yun prontamente foi lá e teve sua primeira experiência de ser um “criminoso”, ao pregar o evangelho:

“Entramos numa casa com 40 pessoas. Assentei-me no chão e os demais se apertaram a minha volta. Eu estava nervoso, porque eu nunca tinha falado para um grupo … Fiquei assentado , com os olhos bem fechados e segurei a Bíblia acima da cabeça. Então disse: ‘Esta é a Bíblia … um anjo do Senhor a mandou. Se quiserem uma terão de orar e buscar a Deus como eu fiz’. Eu não sabia como pregar, só sabia recitar os versículos que decorei. Por isto recitei todo o evangelho de Mateus, sem saber se estavam entendendo algo … Estava cheio do Espírito Santo, cantava alguns cânticos da escritura …. músicas que eu não conhecia. Ao abrir os olhos todos estavam ajoelhados e chorando de arrependimento”.

Perseguição
Após o casamento, Yun foi preso novamente e por um milagre tremendo do Senhor, conseguiu escapar das mãos das autoridades, que o espancavam brutalmente. Passou então a ser considerado um foragido e tendo sua foto espalhada por diversas províncias, com o titulo de ser ‘um perigoso criminoso’.
“No inverno de 1978, começamos a batizar os convertidos. A única maneira segura era cortar um buraco no rio congelado, à noite, e batiza-los nas águas gélidas, enquanto os policiais dormiam. Multidões se convertiam todos os dias.” Havia muitas conversões milagrosas, como em regiões remotas e de difícil acesso, pessoas tinham experiências de pregação do próprio Senhor Jesus.

A situação de Yun piorou quando ele acusou diretamente alguns líderes da ‘Igreja dos três poderes’ de falsificadores da Palavra de Deus. Além de perseguido pelo governo, passou a ser caçado pela liderança da ‘Igreja dos três poderes’. Por várias vezes Yun relata fugas milagrosas das mãos de policiais cruéis. O livro é recheado de histórias que nos fazem lembrar as experiências de Paulo e de Pedro, no livro de Atos.

A lição da prisão
Finalmente preso e tremendamente espancado pela polícia, lhe foi prometido a liberdade se ele entregasse os líderes das igrejas domésticas. Condenado a 17 anos de cadeia, passou por sofrimentos inimagináveis. Os policiais foram instruídos a tratar mal todos os presos de sua cela, para que estes se revoltassem contra Yun. Não demorou para que fosse odiado por todos, que o passaram a espancar, jogar urina e fezes em seu rosto e roupas. Ainda havia o espancamento sofrido por policiais, tais como choques elétricos dentro da boca e outras torturas insuportáveis, como introdução de agulhas grandes entre suas unhas, enquanto policiais pisavam em suas mãos e pés, além de urinarem em seu rosto. Tudo tinha como objetivo que ele entregasse os outros irmãos para serem presos, em troca de sua liberdade.

O Jejum de 74 dias
Yun começou um jejum absoluto que durou 74 dias: sem água e comida. Passou a pesar menos de 30 quilos e continuou sendo torturado violentamente por presos e policiais. “Durante o jejum, embora meu corpo estivesse muito fraco, meu espírito se achava alerta e continuei confiando no Senhor.” Mas, o Senhor operou um tremendo milagre, quando todas as pessoas da sua cela foram tocadas pelo poder do evangelho e se converteram a Cristo. Yun teve os ossos de suas pernas esmigalhados a golpes de cassetetes, mesmo assim o Senhor operou um milagre, não só restaurando seus ossos, mas levando-o para fora da prisão, tal como aconteceu com Pedro e João no livro de Atos. As portas foram abertas e ninguém o via, até que ganhou o lado externo do complexo penitenciário.

Trabalho Atual
Após uma breve abertura política na China, Yun pôde pregar o evangelho com mais liberdade, fase em que o impacto da obra que Deus iniciou através dele e outros irmãos causaram enorme impacto em toda China. Mas, a brutalidade do regime reacendeu e as igrejas domésticas voltaram a ser duramente perseguidas, com assassinatos, prisões e torturas de todo tipo. Yun conseguiu fugir milagrosamente da China em 2001, escapando da morte, em mais uma notável intervenção divina. Este irmão continua completamente voltado para a obra que o Senhor chama a todos os cristãos : anunciar a Cristo e seu evangelho. Após contatos com cristãos ocidentais, o Irmão Yun observou: “No ocidente vejo templos belíssimos e equipamentos caros. Posso afirmar que não é preciso construir mais nada, pois os bens materiais não produzirão a vida do Senhor. A igreja ocidental precisa voltar à palavra do Senhor, pois ela tem faltado. Não é necessário simplesmente o conhecimento da palavra, mas a completa obediência a ela.”

Hoje ele trabalha com uma missão chamada “Back to Jerusalem”, voltada a envio de missionários a países que perseguem duramente os cristãos, notadamente nos países muçulmanos.