David Wilkerson

David Wilkerson é o fundador e presidente do “Desafio Jovem”, que é uma organização sem fins lucrativos; fundada em 22 de Setembro de 1971. Reverendo Wilkerson é autor de trinta livros de sua inspiração, visando o ministério para viciado em drogas, jovens e membros de gangues em Manhattan, no Bronx, e no Brooklyn. Sua história é contada na Cruz e o Punhal, um livro que bateu o recorde de venda. (A história tem sido lida aproximadamente por 50 milhões de pessoas em trinta línguas e 150 países desde 1963. Em 1969, o filme do mesmo título foi lançado e ainda é visto por milhares de pessoas).

Em quatro décadas de ministério evangelístico do Reverendo Wilkerson, que inclui: pregação, ensino e a autoria de vários livros, tem sido possível alcançar um número significativo de pessoas em todo o mundo. Durante todo esse tempo, tem-se também preservado uma das características fundamentais deste trabalho, que assistir aos mais carentes e necessitados entre a população, isto através de grande uma mobilização evangelística-social, cujo um dos objetivos é reintegrar os marginalizados à sociedade, proporcionado-lhe uma nova vida em Jesus Cristo. Até mesmo agora, aos 72 anos de idade, ele sai às ruas de Nova Iorque acompanhado de um assistente. Nessas ocasiões, ele também visita o Broadway e Oitava Avenida, evangelizando os transeuntes. Sua missão está sempre procurando o perdido, o desorientado e o derrotado, para pregar a eles sobre o Cristo vivo.

David Wilkerson, nascido em Indiana, no ano de 1931, casou-se em 1953 com Gwen Carosso. Tem dois filhos que são ministros e suas duas filhas são casadas. Eles têm 11 netos. Os Wilkersons vinham servindo ao Senhor na Pensilvânia, até que o Reverendo Wilkerson viu uma fotografia em uma revista sobre violência urbana, que mostrava vários adolescentes da Cidade de Nova Iorque assassinados. Movido pela compaixão, ele foi à cidade em fevereiro 1959. Foi assim que ele começou seu ministério de rua. Depois atuou como escritor, visando alcançar os chamados: “desesperados, confundidos e violentos nas ruas e do submundo”.

Naquele ano, o Reverendo Wilkerson encontrava um desafio no seu ministério: eram os adolescentes do Brooklyn, Nova Iorque, mas ele, enfim alcançou a juventude e adultos com problemas globais através de seus 490 centros de reabilitação social. Estes são ministérios de recuperação baseados em um programa para viciados em drogas, os quais têm sido reconhecidos como os maiores centros de recuperação do mundo. Um estudo do Instituto Nacional do Governo dos Estados Unidos de Uso de Droga comprovou a recuperação através do Desafio, de Adolescentes e jovens na marca de 86%.

A Cruzada da Juventude do David Wilkerson, originada em 1967, dando início a um ministério evangelístico, caracterizado por esforços do Reverendo Wilkerson para alcançar os adolescentes e crianças que foram abandonadas, para prevenir que eles caminhem para uma vida de escravidão nas drogas, álcool ou na violência. Através deste ministério, CURA (Centro Urbano de Recuperação de Adolescentes) tem-se recuperado muitas vidas preciosas. O CURA foi um esforço para realizar o idealismo e o sacrifício de muitas pessoas, jovens e cristãos que souberam sobre este trabalho de paz, e desejavam ajudar os necessitados.

Em 1971, o ministério se expandiu, e o Reverendo Wilkerson, movido por uma chama missionária, saiu do Texas, sede de seu ministério e do Desafio Jovem, para uma Missão específica de transmitir a eterna mensagem de Cristo através dos seminários para um público cristão, com objetivo de prepará-los para a tarefa de resgatar outras vidas para Cristo. O Desafio Jovem serve como um ponto de partida para cruzadas do Reverendo Wilkerson, conferências dos ministros, livros e produção de vídeo, escolas bíblicas, evangelismo de rua, distribuição de literatura, investimentos em programas antidroga.

Ele continua como presidente do Desafio Jovem, ministrando palestras para centenas de milhares de pessoas que, regularmente, têm recebido cópias dos sermões e notícias do ministério. O Reverendo Wilkerson, pessoalmente, lê os pedidos de oração, auxiliado pela sua esposa Gwen, que o ajuda a ler as milhares de correspondências, que chegam mensalmente. Responde as cartas e intercede pelas necessidades nelas expressas, levando-as a Deus em oração.
Em 1986, o coração do Reverendo Wilkerson se moveu outra vez para levantar um ministério nos Tempos Squares. Ele chorou pedindo a Deus para fazer alguma coisa, e em um dia, pela manhã, sentiu o Senhor falando ao seu coração: “Você sabe que eu amo essa cidade”. Naquele momento, a igreja “Time Square” foi idealizada. A igreja foi inaugurada em outubro 1987 e, desde então, está com as suas portas abertas. Primeiro em um auditório alugado e depois no Teatro do Hellinger, que o ministério adquiriu em 1989. A igreja está localizada no coração do Distrito de Manhattan. O teatro é belo, em contraste à pobreza e necessidades dominantes daquela área. E a congregação é composta de 8.000 pessoas, da Cidade de Nova Iorque: entre doutores, estudantes, professores, advogados, viciados e os desabrigados, enfim todas as classes.

C. H. Mackintosh

Charles Henry Mackintosh
Quase todo o povo de Deus sabe da importância da página impressa na divulgação da mensagem do Evangelho e da sã doutrina cristã. Um que reconheceu este fato era o escritor “C. H. M.” cujo nome era e é conhecido entre muitos evangélicos. É impressionante notarmos que mesmo cento e oito anos depois da sua morte o ministério bíblico deste dedicado servo de Deus continua sendo espalhado mundo afora pela página impressa.

Charles Henry Mackintosh nasceu no quartel militar de Glenmalure, Condado de Wickmore, Irlanda, em outubro de 1820. Era filho de um capitão de um regimento escocês baseado na Irlanda naquela época.

Sua mãe era irlandesa, de uma família antiga da região. Converteu-se aos 18 anos de idade através de cartas que sua irmã lhe enviou. Recebeu plena certeza da salvação pela leitura de um livro escrito por J.N. Darby em 1837, chamado Operações do Espírito. Ficou especialmente impressionado pelas palavras: “É a obra de Cristo por nós, e não a Sua obra em nós, que traz a paz”. John Darby veio a se tornar (humanamente falando) a maior influência na vida de C. H. Mackintosh. Que este influência trouxe grandes bênçãos, não há dúvida. Anos mais tarde, por exemplo, foi através da pressão feita por Darby que C.H. Mackintosh retirou certas expressões de opinião que tinha deixado publicar acerca da humanidade celestial de Cristo e que, por serem mal pensadas, chegavam perto de ser heresia. Quanto à doutrina da igreja, porém, em minha opinião, Mackintosh foi bem menos feliz ao seguir as idéias de Darby, pois este, após 1848, deixou de lado a simplicidade das escrituras quanto à autonomia administrativa da igreja local, a necessidade de anciãos reconhecidos e outros assuntos semelhantes.

C. H. Mackintosh por um período trabalhou num escritório em Limerick, ao leste do país. Depois, entre os anos 1844 e 1853, se dedicou ao magistério em Westport, que está localizada também ao leste da Irlanda mas mais para o norte. Abriu uma escola e tinha muito entusiasmo neste serviço. Todavia, seu entusiasmo para a obra do Senhor era maior ainda e, como resultado, em 1853 dedicou todo o seu tempo à obra do Senhor, tendo Dublin, a capital da Irlanda, como base.

O primeiro folheto de C.H. Mackintosh foi publicada em 1843 e, daquele ano em diante, se dedicou muito ao trabalho de escrever livros, folhetos e artigos de proveito para o povo de Deus. Quando publicava alguma matéria a assinava simplesmente “C.H.M.”, como era costume entre estes irmãos. Usavam apenas as primeiras letras dos seus nomes para se identificaram. Assim na segunda metade do século 19, o nome “C.H.M.” se tornou conhecido em muitos lares evangélicos. Sua obra principal, sem dúvida, é seu comentário em seis volumes sobre o Pentateuco (o comentário de Deuteronômio é de dois volumes). Estes livros foram publicados na segunda metade da década de 1850. As traduções em língua portuguesa foram feitas pelo irmão Feliciano H. dos Santos e os seis volumes foram publicados em Lisboa pelo “Depósito de Literatura Cristã” a partir de 1965. Recentemente, uma nova edição foi publicada pelo “Depósito de Literatura Cristã” de Diadema, S.P.

É interessante notar a reação para com estes livros quando foram originalmente publicados em inglês. O grande pregador C.H. Spurgeon (1834-1892), no seu livro “Commenting and Comentaries” (Comentando e Comentários), apesar das pesadas criticas contra o darbismo que imaginava ver nos livros (não era fã de J.N.Darby!), coloca estes livros entre os mais importantes comentários sobre o Pentateuco. Acerca de “Estudos sobre o livro de Gênesis”, por exemplo, Spurgeon diz: “Reflexões preciosas e edificantes”. O volume sobre Êxodo descreve-o como “notavelmente sugestivo” enquanto o de Levítico é “freqüentemente sugestivo”.

Um outro livro escrito por C.H.M. nesta época e também vertido para o português é “Exemplos da Vida de Fé na Vida e Época de David”. C. H. Mackintosh se esforçou muito também na pregação da Palavra de Deus, sendo especialmente usado por Deus nos anos 1859-60, quando houve um grande avivamento na Irlanda. Na região de Dublin muitas almas foram convertidas e foi uma época de alegria para C.H.M. e seus co-obreiros, tal como o não menos notável J.G. Bellett (1795-1864). Neste período também publicava uma revista chamada “Things New and Old” (Coisas Novas e Velhas).

Era um homem de muita fé. Sua filosofia de vida é explicada pelas palavras que certa feita escreveu: “Dar conhecimento das minhas necessidades, direta ou indiretamente, a um ser humano, é sair da vida de fé e uma positiva desonra a Deus. É, na verdade, traí-lO. Equivale a dizer que Deus falhou comigo e que preciso pedir socorro a um amigo. É abandonar a fonte de águas vivas e voltar-me para uma cisterna rota. É colocar a criatura entre a minha alma e Deus, privando a minha alma de rica benção e a Deus da glória a Ele devida”.

C.H. Mackintosh morou em Dublin por quase quarenta anos. Perto do fim deste tempo, em 1888, um jovem engenheiro inglês, chamado S.E. McNair, foi enviado por seu patrão para Dublin a fim de cuidar do assentato de uma pequena instalação de bondes elétricos em volta de uma fábrica de bebidas. Ficou oito meses lá e fez amizade com C.H. Mackintosh, tomando chá junto em média de cada quinze dias. Mais de sessenta e cinco anos mais tarde, Stuart McNair lembrava-se de um incidente especial: “O sr. Mackintosh era notável pelo seu amor fraternal. Um dia, quando toquei a campainha, foi ele mesmo quem abriu e ali na entrada, de pé, contei-lhe que tinha a impressão que Deus me chamava para servi-lO na América do Sul. Em seguida, ele pôs as mãos sobre a minha cabeça e impetrou a benção divina sobre meu futuro serviço aqui. E creio que esta oração tem sido abundantemente respondida” (Mais Reminiscências, pág. 3).

Durante os últimos quatro anos de sua vida, C.H. Mackintosh residia em Cheltenham na Inglaterra, e, mesmo estando fraco demais no fim para pregar publicamente, continuava seu ministério por escrito. Seu primeiro folheto em 1843 tinha como título: “A Paz de Deus”. Seu último manuscrito foi chamado: “O Deus da Paz”. Dormiu no Senhor em plena paz no dia 02 de novembro de 1896 e foi sepultado quatro dias mais tarde ao lado do túmulo de sua amada esposa. O Dr. W.J.P. Wolston , de Edinburgo, pregou no cemitério acerca do sepultamento de Abraão, lendo Gênesis 25:8-10 e Hebreus 8:10. Antes de irem embora, os irmãos cantarem um hino de J.N. Darby acerca da paz e beleza do céu.

Estando morto, C.H. Mackintosh ainda fala. Até a volta de Cristo, teremos o privilégio de ler o seu ministério, e, quem sabe?, talvez até durante a Tribulação os seus escritos trarão conforto aos santos daqueles dias terríveis!

Ainda há necessidade de escritores como C.H.M., que façam o serviço de escrever visando apenas à glória de Deus e o bem estar espiritual do leitor. Digo mais, Deus procura C.H.M.s brasileiros que se dediquem com competência e espiritualidade à escrita em língua portuguesa, sem o filtro de idéias e expressões culturais que vem de outros idiomas. Irmãos como S.E. McNair, William Anglin, R.D. Jones e outros, serviram bem a Deus nas suas gerações, mas onde estão os C.H.M.s do século 21?

Que tais irmãos sejam fieis neste serviço e o Senhor há de abençoá-los e dar a Sua recompensa.

“J.C,J. no Boletim Anual da IDE”

Andrew Murray

(Um Homem que habitou em Cristo)
Andrew Murray nasceu na África do Sul, em 9 de maio de 1828, e morreu em 1917. Seu pai era pastor vinculado à Igreja Presbiteriana da Escócia, que, por sua vez, mantinha estreita relação com a Igreja Reformada da Holanda, o que foi importante para impressionar Murray com o fervoroso espírito cristão holandês. Andrew experimentou o novo nascimento aos 16 anos, na Holanda. Após isso, dedicou muito tempo, muitas madrugadas, a orar por um avivamento em seu país e a ler sobre experiências desse tipo ocorridas em outros países.

Foi para a Inglaterra com 10 anos e quando retornou para a África do Sul como pastor e evangelista, levou consigo um reavivamento que abalou o país. Seu ministério enfatizava especialmente a necessidade de os cristãos habitarem em Cristo. Isso foi despertado especialmente quando, ao voltar para a África, deparou-se com a grande extensão geográfica em que deveria ministrar. Aí começou a sentir necessidade de uma vida cristã mais profunda. Murray aprendeu suas mais preciosas lições espirituais por meio da Escola do Sofrimento, principalmente após uma séria enfermidade. Sua filha testificou que, após essa doença, seu pai manifestava “constante ternura, serena benevolência e pensamento altruísta”. Essa foi uma expressão de sua fé simples em Cristo e a Ele rendida.

Seu ministério, pela influência recebida do pai, foi caracterizado por profunda e ardente espiritualidade e por ação social. Em 1877, viajou pela primeira vez aos Estados Unidos e participou de muitas conferências de santidade nos EUA e na Europa. Sua teologia era conservadora, e se opunha francamente ao liberalismo. Em seus livros, enfatizou a consagração integral e absoluta a Deus, a oração e a santidade.

Durante os últimos 28 anos de sua vida, foi considerado o pai do Movimento Keswick da África do Sul. Muito dos aspectos místicos de sua obra deve-se à influência de William Law. Murray, assim como Law, Madame Guyon, Jessie Penn-Lewis e T. Austin-Sparks, experimentou o Senhor de forma muito profunda e se tornou um dos mais proeminentes no movimento da vida interior.

Foi acometido de uma infecção na garganta em 1879, a qual o deixou sem voz por quase dois anos. Foi curado dela na casa de uma família cristã em Londres. Como resultado dessa experiência, veio a crer que os dons miraculosos do Espírito Santo não se limitavam à igreja primitiva. Para ele, uma das características da vida vitoriosa era uma profunda e silenciosa percepção de Deus e uma intensa devoção a ele.

Por crer no que Deus pode fazer por meio da obra de literatura, Murray escreveu mais de 250 livros e inúmeros artigos. Sua obra tocou e toca a Igreja no mundo inteiro por meio de escritos profundos, incluindo The Spirit of Christ (O Espírito de Cristo), The Holiest of All (O Mais Santo de Todos), With Christ in the School of Prayer (Com Cristo na Escola de Oração), Abide in Christ (Habite em Cristo), Raising Your Children for Christ (Criando Seus Filhos para Cristo) e Humildade, os quais são considerados clássicos da literatura cristã. Entre tantos que foram ajudados por ele, podemos mencionar Watchman Nee, cujas obras O Homem Espiritual e O Poder Latente da Alma trazem marcas do pensamento de Murray.

(Extraído do livro Humildade – A Beleza da Santidade. © Editora dos Clássicos, 2000.)

A. W. Tozer

“Devemos nos preocupar com o ‘arrependimento’ que é apenas uma mudança de localização. Ao passo que outrora pecávamos na terra longínqua entre os porqueiros, agora somos companheiros de pessoas religiosas, consideravelmente mais limpas e muito mais respeitáveis na aparência, por certo, mas não estamos mais próximos da verdadeira pureza de coração do que antes. O pecado pode mudar de aparência sem mudar de natureza. Um cristianismo sem poder não faz nenhuma diferença fundamental na vida de uma pessoa. A água pode mudar de líquido para vapor, de vapor para neve e de novo para líquido, e continua fundamentalmente sendo a mesma coisa. Assim, o cristianismo sem poder faz no homem diversas mudanças superficiais, porém, deixando-o exatamente igual ao que era antes. É justamente aí que está a armadilha.

As mudanças são apenas de forma, não de natureza. Por trás do homem não religioso e do homem que recebeu o evangelho sem poder estão os mesmos motivos; Um ego não abençoado jaz no fundo de ambas as vidas, com a diferença que o ultimo aprendeu a disfarçar melhor o defeito. Os seus pecados são mais refinados e menos ofensivos do que antes, mas não é melhor aos Olhos de Deus. Na verdade pode ser pior, pois Deus abomina o artificialismo e o fingimento. Ele se torna vítima de um cristianismo sem poder. O homem que recebeu a Palavra sem poder apurou a sua sebe, mas esta continua sendo uma sebe de espinhos e jamais poderá produzir os frutos da nova vida. Os homens não podem colher uvas dos espinheiros nem figo dos abrolhos. Entretanto, tal homem pode ser um líder na igreja, e as suas idéias podem chegar a influenciar sua geração.” (A.W. Tozer, 1951)

Palavras como esta fez de A. W. Tozer um homem mal visto por “cristãos” superficiais e em busca de diversão religiosa. A visão aguçada desse homem lúcido foi dada por Deus em um momento necessário para sua igreja. Suas palavras, nascidas nas incessantes madrugadas solitárias de oração e de um atordoador desapego para com este mundo, atravessaram as fronteiras geográficas e do tempo, alcançaram corações que amam ao Senhor em dezenas de países e o fez assentar na fileira dos grandes profetas que Deus levantou no século XX.

Tozer morreu em 1963. Na sua lápide foi escrito: “A. W. Tozer, Um homem de Deus”. É estranho começar a descrever um homem pelo seu túmulo. Mas esta afirmação que os irmãos colocaram em sua homenagem, representa o sonho que este homem teve em toda sua vida: Ser “apenas” um homem de Deus. O reconhecimento não foi fruto de lábios lisonjeadores, mas da vida divina que exalava de um homem simples, sério e que amava profundamente ao Senhor e a sua Palavra.

Um homem a frente de seu tempo. Enxergou a fase embrionária de boa parte da apostasia que começava a assolar a igreja e suas gravíssimas conseqüências no decorrer dos anos. Certa vez escreveu: “Urge voltarmos ao verdadeiro cristianismo, não apenas no que se refere ao credo mas também a prática real de vida. Separação, obediência, humildade, naturalidade, seriedade, autodomínio, modéstia, longanimidade: tudo isso precisa fazer parte do viver cotidiano normal de quem se diz discípulo de Jesus. Precisamos purificar o templo, tirando os mercenários e os cambiadores, e ficarmos sob a autoridade do Senhor ressurreto. Daí, sim, poderemos orar em plena confiança, e aguardar o verdadeiro reavivamento que certo virá”. No seu enterro alguém disse: “Eu temo que nós nunca vejamos outro Tozer. Homens como ele não são gerados nas faculdades de teologia, mas ensinados pelo Espírito Santo”.

Sentimos muita alegria em falar de Tozer, pois tivemos devastadora influência dos escritos dele. Quando conhecemos o primeiro livro dele, não descansamos até conseguir todas as publicações disponíveis no Brasil. O alimento espiritual sólido que eles proporcionam foi de imensurável valor em nossas vidas.

Aiden Wilson Tozer nasceu em Newburg (naquele tempo conhecida como La Jose), Pensilvânia, Estados Unidos, em 21 de abril de 1897. Em 1912, sua família deixou a fazenda e foi para Akron, Ohio; e, em 1915, aos 17 anos de vida, converteu-se a Cristo, e imediatamente passou a ter uma fome e sede insaciáveis por Deus. O porão de sua casa se transformou em seu local de solidão com Deus e a sua palavra.

Em 1919, começou a pastorear a Alliance Church, em Nutter Fort, West Virginia. Também pastoreou igrejas em Morgantown, West Virginia; Toledo; Ohio; Indianapolis, Indiana; e, em 1928, foi para a Southside Alliance Church, em Chicago. Ali, ministrou até novembro de 1959, quando tornou-se pastor da Avenue Road Church, em Toronto, no Canadá.

Nas muitas dificuldades financeiras no início de seu ministério, Tozer sempre aprendeu a crer na provisão do Senhor. Sempre dizia que tendo sua provisão básica e seus livros de meditação, estava contente. Este princípio nunca foi abandonado por ele. Mesmo quando o panorama em sua volta mudou, Tozer recusou qualquer luxo e qualquer coisa que não fosse necessidade básica. Recusou até mesmo ter um carro, optando por andar de ônibus e trem. Os direitos autorais que recebia de seus livros eram doados aos que estavam em necessidade. Ele era um homem livre, que não tinha necessidade de bajular homens, tal como deve ser um profeta.

Em certo momento de seu ministério, quando pastor em Indianápolis (EUA), sentiu um forte encargo do Senhor em registrar suas palavras em livros. Aos sedentos pela Palavra de Deus cabe um agradecimento especial ao nosso Senhor por este cuidado para com seus filhos. É tremendo como Deus perpetuou sua palavra através da vida deste homem. Com quase meio século após sua morte, o ministério de Tozer está vivo como nunca. Seus preciosos livros rodam o mundo todo, em dezenas de idiomas, carregando uma palavra profética de conteúdo imensurável. Eles causam repugnância aos superficiais, mas alimentam solidamente os que buscam conhecer profundamente a Jesus. Seus livros não ocupam lugares nas vitrines dos mercadores da fé, mas são publicados por trabalhos sérios, a exemplo da Editora dos Clássicos.

Tudo o que Tozer ensinou e pregou saiu do muito tempo que Ele passava em oração diária com Deus; Era quando deixava o mundo e sua confusão lá fora, e focalizava sua atenção só em Deus. “Nossas atividade religiosas deveriam ser ordenas de tal modo a sobrar bastante tempo para cultivo dos frutos da solidão e do silêncio”, escreveu ele. E mais: “Quando começamos a falar excessivamente em oração, podemos estar quase certos que estamos falando conosco mesmo”.

Ele sempre dizia: “Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. ‘Ninguém pode vir a mim’, disse o Senhor Jesus, ‘se o Pai que me enviou não o trouxer a mim’ ( Jo 6:44), e é justamente através desse trazer proveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegar-mos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscarmos, já estamos em Sua mão: “… o Senhor o segura pela mão”. (Sl 37:24).
O que há nas obras de A. W. Tozer que nos prende a atenção e nos cativa? Primeiro, ele Tozer escrevia com convicção. Não estava interessado nos cristãos superficiais de Atenas que estavam à procura de algo novo. Tozer mergulhou novamente nas antigas fontes e nos chamou de volta às veredas do passado, tendo plena convicção e colocando em prática as verdades que ensinava.

Tozer era um místico cristão em uma época pragmática e materialista. Ele ainda nos convida a ver aquele verdadeiro mundo das coisas espirituais que transcendem o mundo material que tanto nos atraem. Suplica para que agrademos a Deus e nos esqueçamos da multidão. Ele nos implora que adoremos a Deus de modo que nos tornemos mais parecidos com Ele. Como esta mensagem é desesperadamente necessária em nossos dias!

A. W. Tozer recebeu a dádiva de compreender uma verdade espiritual e erguê-la para a luz para que, como um diamante, cada faceta fosse observada e admirada. Ele não se perdeu nos pântanos da homilética; o vento do Espírito soprava e ossos mortos reviviam. Suas obras eram como graciosos camafeus cujo valor não se avalia por seu tamanho. Sua pregação se caracterizava pela intensidade espiritual que penetrava no coração do ouvinte e o ajudava a ver Deus. Feliz é o cristão que possui um livro de Tozer à mão quando sua alma está sedenta e ele sente que Deus está longe.

Tozer, em suas obras, nos entusiasma tanto sobre a verdade que nos esquecemos de Tozer e tratamos de pegar a Bíblia. Ele mesmo sempre dizia que o melhor livro é aquele que faz o leitor parar e pensar por si mesmo. Tozer é como um prisma que concentra a luz e depois revela sua beleza.

NOTA: Este texto tem conteúdo do site, do livro “O Melhor de Tozer”, Editora dos Clássicos e do Livro “O Poder Latente da Alma”, Watchman Nee, Editora dos Clássicos.