Nós Nos Tornamos Naquilo Que Amamos

A. W. Tozer

Estamos todos num processo de transformação. Já saímos daquilo que éramos e chegamos a esta posição onde estamos; agora estamos caminhando para aquilo que seremos.

Saber que nosso caráter não é sólido e imutável e, sim, flexível e maleável não é, em si, uma idéia que incomoda. De fato, a pessoa que conhece a si mesma pode receber grande consolo ao compreender que não está petrificada no seu estado atual; que é possível deixar de ser aquilo que se envergonha de ter sido até então; e que pode caminhar em direção à transformação que seu coração tanto almeja.

O que perturba não é o fato de estarmos em transformação, e sim no quê estamos nos tornando; não é problema o estarmos em movimento, precisamos saber para onde estamos nos movendo. Pois não está na natureza humana mover-se num plano horizontal; ou estamos subindo ou descendo, alçando vôo ou afundando. Quando um ser moral (com o poder de escolha) se desloca de uma posição a outra, necessariamente é para o melhor ou para o pior.

Isto é confirmado por uma lei espiritual revelada no Apocalipse: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (Ap 22.11).

Não só estamos todos num processo de transformação, mas estamos nos tornando naquilo que amamos. Em grande medida, somos a somatória de tudo que amamos e, por necessidade moral, cresceremos na imagem daquilo que mais amamos; pois o amor, entre outras coisas, é uma afinidade criativa; muda, molda, modela e transforma. É sem dúvida o mais poderoso agente que afeta a natureza humana depois da ação direta do Espírito Santo dentro da alma.

O objeto do nosso amor, então, não é um assunto insignificante a ser desprezado. Pelo contrário, é de importância atual, crítica e permanente. É profético do nosso futuro. Mostra-nos o que seremos e, desta forma, prediz com precisão nosso destino eterno.

Amar objetos errados é fatal para o crescimento espiritual; torce e deforma a vida e torna impossível a imagem de Cristo se formar na alma humana. É somente quando amamos as coisas certas que nós mesmos podemos estar certos; e é somente enquanto continuamos amando-as que podemos nos deslocar lenta, mas firmemente, em direção aos objetos da nossa afeição purificada.

Isto nos dá em parte (e somente em parte) uma explicação racional para o primeiro e grande mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37).

Tornar-se semelhante a Deus é, e precisa ser, o supremo objetivo de toda criatura moral. Esta é a razão da sua criação, a finalidade sem a qual não existiria nenhuma desculpa para sua existência. Deixando de fora, no momento, aqueles estranhos e belos seres celestiais a respeito dos quais conhecemos tão pouco (os anjos), concentraremos nossa atenção na raça caída da humanidade. Criados originalmente na imagem de Deus, não permanecemos no nosso estado original, deixamos nossa habitação apropriada, ouvimos os conselhos de Satanás e andamos de acordo com o curso deste mundo e com o espírito que agora opera nos filhos da desobediência.

Mas Deus, que é rico em misericórdia, com seu grande amor com que nos amou, mesmo quando estávamos mortos em nossos pecados, proveu-nos expiação. A suprema obra de Cristo na redenção não foi salvar-nos do inferno, mas restaurar-nos à semelhança de Deus, ao propósito declarado em Romanos 8: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29).

Embora a perfeita restauração à imagem divina aguarda o dia do aparecimento de Cristo, a obra da restauração está em andamento agora. Há uma lenta, porém firme, transmutação do vil e impuro metal da natureza humana para o ouro da semelhança divina, que ocorre quando a alma contempla com fé a glória de Deus na face de Jesus Cristo ( 2 Co 3.18).

Supremo Amor a Deus

Neste ponto, seria proveitoso antecipar uma dificuldade e tentar esclarecê-la. É a questão que surge de um conceito errado sobre o amor. Este conceito errado pode ser definido mais ou menos assim: O amor é volúvel, imprevisível e quase totalmente fora do nosso controle. Surge espontaneamente e tanto pode perdurar como apagar-se sozinho. Como, então, podemos controlar nosso amor? Como podemos direcioná-lo para objetos mais ou menos dignos? E, especialmente, como podemos obrigá-lo a focalizar-se em Deus como o objeto apropriado e permanente da sua devoção?

Se o amor fosse, de fato, imprevisível e além do nosso controle, estas perguntas não teriam respostas satisfatórias e nossa perspectiva seria desoladora. A simples verdade, entretanto, é que o amor espiritual não é esta emoção caprichosa e irresponsável que as pessoas pensam erroneamente que é. O amor é servo da nossa vontade e sempre terá de ir para onde for enviado e fazer o que lhe foi ordenado.

A expressão romântica “apaixonar-se” nos deu a noção que somos obrigatoriamente vítimas das flechas do Cupido e que não podemos ter controle algum sobre nossos sentimentos. Os jovens hoje esperam se apaixonar e ser arrebatados por uma tempestade de emoções deliciosas. Inconscientemente, estendemos este conceito de amor à nossa relação com o Criador e nos perguntamos: Como podemos nos obrigar a amar a Deus acima de todas as coisas?

A resposta a esta pergunta, e a todas as outras relacionadas a ela, é que o amor que temos por Deus não é o amor do sentir, mas o amor do querer. O amor está dentro do nosso poder de escolha, de outra forma não teríamos na Bíblia a ordem de amar a Deus, nem teríamos de prestar contas por não amá-lo.

A mistura do ideal de amor romântico com o conceito de como nos relacionar com Deus foi extremamente prejudicial às nossas vidas cristãs. A idéia de que é necessário “apaixonar-se” por Deus, como algo passivo da nossa parte, fora do nosso controle, é uma atitude ignóbil, antibíblica, indigna da nossa parte e que certamente não traz honra alguma ao Deus Altíssimo. Não chegamos ao amor por Deus através de uma repentina visitação emotiva. O amor por Deus vem do arrependimento, de um desejo de mudar o rumo da vida e de uma determinação resoluta de amá-lo. À medida que Deus entra de maneira mais completa no foco do nosso coração, nosso amor por ele pode, de fato, expandir-se e crescer dentro de nós até varrer, qual enchente, tudo que estiver à sua frente.

Mas não devemos esperar por esta intensidade de sentimento. Não somos responsáveis por sentir, somos responsáveis por amar, e o verdadeiro amor espiritual começa com o querer. Devemos fixar nosso coração para amar a Deus acima de todas as coisas, por mais frio ou duro que este possa estar, e depois confirmar nosso amor através de cuidadosa e alegre obediência à sua Palavra. Emoções prazerosas certamente seguirão. Cânticos de passarinhos e flores não produzem a primavera, mas quando a primavera chega todos estes sinais a acompanharão.

Agora, apresso-me em negar qualquer identificação com a idéia popular de salvação por esforço humano ou força de vontade. Estou radicalmente oposto a toda forma de doutrina, com “capa” cristã, que ensina a depender da “força latente dentro de nós”, ou a confiar em “pensamento criativo” no lugar do poder de Deus. Todas estas filosofias infundadas falham exatamente no mesmo ponto – por presumirem erroneamente que a correnteza da natureza humana possa ser levada a voltar e subir as cataratas no sentido contrário. Isto é impossível. “A salvação vem do Senhor”.

Para ser salvo, o homem perdido precisa ser alcançado pelo poder de Deus e elevado a um nível superior. Precisa haver uma transmissão de vida divina no mistério do novo nascimento, antes de poder aplicar à sua vida as palavras do apóstolo: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2 Co 3.18, NVI).

Ficou estabelecido aqui, espero, que a natureza humana está num processo de formação e que vai progressivamente se transformando na imagem daquilo que ama. Homens e mulheres são amoldados por suas afeições e poderosamente afetados pelo desenho artístico daquilo que amam. Neste mundo adâmico e caído, isto produz diariamente tragédias de proporções cósmicas. Pense no poder que transformou um garotinho inocente, de bochechas rosadas, num Nero ou num Hitler. E Jezabel, será que sempre foi a mulher maldita cuja cabeça nem os cachorros quiseram comer? Não! No princípio, ela também sonhou com a pureza de uma garotinha e se enrubescia ao pensar no amor sentimental; mas logo ficou atraída por coisas perversas, admirava-as e finalmente passou a amá-las. Aí a lei da afinidade moral tomou conta e Jezabel, como argila na mão do oleiro, se tornou aquele ser deformado e odioso que os eunucos jogaram pela janela (2 Rs 9.30-37).

Objetos Morais Dignos do Nosso Amor

Nosso Pai celestial proveu para seus filhos objetos morais e dignos de serem admirados e amados. São para Deus como as cores no arco-íris em volta do trono. Não são Deus, porém estão mais próximos a Deus; não podemos amá-lo sem amar estas coisas e à medida que as amarmos, seremos capacitados a amá-lo ainda mais. Quais são elas?

A primeira é justiça. Nosso Senhor Jesus amava justiça e odiava iniqüidade (Hb 1.9). Por esta razão, Deus o ungiu com o óleo da alegria acima de todos seus companheiros. Aqui temos um padrão definido. Amar implica também em odiar. O coração atraído à justiça será repelido pela iniqüidade no mesmo grau de intensidade; esta repulsão moral é ódio. A pessoa mais santa é aquela que mais ama a justiça e que odeia o mal com o ódio mais perfeito.

Depois vem a sabedoria. Temos a palavra “filosofia”, que vem dos gregos e significa o amor à sabedoria; porém os profetas hebreus vieram antes dos filósofos gregos e seu conceito de sabedoria era muito mais elevado e espiritual do que qualquer coisa que se conhecesse na Grécia. A literatura da sabedoria no Velho Testamento – Provérbios, Eclesiastes e alguns dos Salmos – pulsa com um amor à sabedoria desconhecido até por Platão.

Os escritores do Velho Testamento colocam a sabedoria num plano tão elevado que às vezes mal conseguimos distinguir a sabedoria que vem de Deus da sabedoria que é Deus. Os hebreus anteciparam por alguns séculos o conceito grego de Deus como a essência da sabedoria, embora seu conceito da sabedoria fosse mais moral do que intelectual. Para os hebreus, o homem sábio era o homem bom e piedoso, e sabedoria na sua maior nobreza era amar a Deus e guardar seus mandamentos. O pensador hebreu não conseguia separar sabedoria de justiça.

Um outro objeto para o amor cristão é a verdade. Aqui também teremos dificuldade em separar a verdade de Deus da sua pessoa. Cristo disse: “Eu sou a verdade”, e ao dizer isso, uniu verdade com a divindade de forma indissolúvel. Amar a Deus é amar a verdade, e amar a verdade com ardor constante é crescer em direção à imagem da verdade e afastar-se da mentira e do erro.

Não é necessário tentar relacionar todas as outras coisas boas e santas que Deus aprovou como nossos modelos. A Bíblia as coloca diante de nós: misericórdia, bondade, pureza, humildade, compaixão e muitas outras, e aqueles que forem ensinados pelo Espírito saberão o que fazer a respeito delas.

Em síntese, devemos amar e cultivar interesse em tudo que é moralmente belo. Foi por isto que Paulo escreveu aos filipenses: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Fp 4.8).

Fonte: Extraído do livro God Tells the Man Who Cares (Deus Conta ao Homem Que se Importa), de A. W. Tozer.

As características de um discípulo

Mt 28.18-20 – Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Jesus nos mandou fazer discípulos. Mas nós somos discípulos? Estamos fazendo discípulos? Como saber quem é um discípulo? O que nós somos?

Jesus marcou pontualmente o que é um discípulo. Como podemos saber que uma girafa é uma girafa e não um cachorro? Pelas características que a girafa tem, pescoço grande, manchas marrons e etc. Podemos saber quem é um discípulo pelas características que um discípulo tem, Jesus pontuou essas características.

1ª Característica – Renuncia a tudo – Lc 14.33 – Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

O “TER” é o centro do coração de uma raça perdida, tudo no mundo gira em torno do “TER”, os governos são bem avaliados quando dão condições ao povo de “TER”. Uma das bases para o governo do anticristo é o “TER”. Um discípulo de Jesus perdeu TUDO quando se entrega ao Senhor, logo não há dificuldades em ser generoso, devolver a provisão ou dizimo porque o dinheiro não é dele, a casa, o carro, os bens também não são, ele renunciou tudo. Um discípulo não tem dificuldades de levar uma vida simples, não é refém nem vive em torno das coisas que tem ou que quer ter. Podemos ficar tão presos ao ter que passamos a não ter mais tempo pra Deus.

Exemplos de Jesus aplicando a renuncia de todas as coisas:

Mt 10.17-22 – E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe. Ele, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade. E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.

Se um homem nos procurasse com essas características teríamos espaço para aplicar a palavra de Cristo? Jesus nunca erra, ele discernia o coração dos homens. Jesus sabia que para esse homem não adiantaria falar sobre arrependimento, fim dos tempos, Sua morte, Jesus sabia do que esse homem precisava fazer para herdar o reino dos Céus, renunciar toda sua riqueza. Jesus foi diretamente ao ponto, isso é amor. O amor de Jesus não era fingido. Seu amor pelos homens o fazia aplicar o reino de Deus para salvação dos homens. Aprendamos com Jesus, nosso mestre perfeito!

Lc 9.57-58 – E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

Jesus aplica o reino de Deus na vida desse outro homem dizendo que se Ele não tinha onde reclinar a cabeça, tão pouco os seus seguidores teriam, é necessário renunciar tudo.

Lc 9.59-60 – E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.

A esse outro o próprio Jesus convida para ser seu discípulo. Mas o homem coloca condições para seguir ao Senhor. Ele disse queria cuidar de seu pai, já velho, até a morte dele, e depois seguiria a Cristo. Por mais santo que possa parecer essa atitude só o Senhor pode dizer o que vem primeiro e o que vem depois. Se Cristo é Senhor ele é quem coloca as condições. E nós, temos colocado condições para seguir ao Senhor?

Lc 9.61-62 – Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus

Esse outro aparece com uma intenção mais simples e singela ainda, só queria despedir-se de sua família. O problema não era a sua intenção e sim o que vinha por traz dela, o “, mas”. Quando alguém diz Senhor te seguirei “, mas”, não importa o que venha depois disso, por mais santo e justo que possa parecer. Ou Jesus é o Senhor e governa tudo ou Ele não é nada. Será que temos um “, mas” na nossa vida?

O “,mas” é olhar para trás e os que põe a mão no arado e olham para traz não são aptos para o Reino de Deus.

2ª Característica – Ama Jesus acima de todos – Lc 14.26 – Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

Aqui Jesus diz que alguém que não ama a Ele mais do que todas as pessoas que são seus vínculos mais fortes na terra não pode ser seu discípulo. Se alguém vem a Cristo, quer ser discípulo dele, e vive em adultério a única coisa que temos a dizer é: Renuncie esse relacionamento por Cristo.

Se alguém vem a cristo e não está disposto a renunciar sua esposa, marido, filhos, pais e seus maiores amores não pode ser Seu discípulo.

Lc 9.61-62 – E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.

3ª Característica – Toma sua Cruz – Lc 14.27 – E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

Para ser discípulo de Jesus é necessário tomar a nossa Cruz. Tomar nossa Cruz nada mais é do que morrer. Jesus nunca fez sua própria vontade, ele tomou Sua cruz. A vontade de “SER” domina os homens, cada vez mais ele precisa ser mais, isso ocupa seu tempo e seu esforços. Um discípulo teve seu ego, seu “eu”, morto. O problema da igreja não são os débeis e sim os vivos, aqueles que não tomaram a sua cruz. Um morto não reclama, não reivindica, não se ofende, não se protege, não se exibe, não se gloria, não se firma nas suas opiniões, não é indócil, não é difícil de corrigir.

O diabo tem um evangelho, a salvação sem cruz. Foi o que ele ofereceu a Jesus. Em Mt 4.8-9 o diabo oferece a Jesus a gloria que já estava reservada pra Ele sem passar pela cruz. O diabo sabe o quanto é prejudicial para ele as pessoas morrem pra si mesmas, ele não pode manipular ou instigar um morto.

É impossível tentar caminhar com alguém que tem seu Ego vivo, o vivo não é tocável pela igreja, Cristo não consegue tocar em sua vida através do seu corpo.

Fp 7.4-8 – Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.

Paulo tinha morrido pra si mesmo, tomou a sua Cruz, teve seu “eu” seu ego morto.

4ª Característica – Obedece a Cristo – Jo 8.31 – Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos.

Ainda não dá pra confirmar alguém como discípulo de Jesus pelas outras 3 características pois elas são subjetivas, alguém pode dizer que renunciou a tudo, ama Jesus mais que todos e tomou sua cruz sem ainda ter feito essas coisas de fato. Um discípulo de Jesus permanece na palavra Dele, isso é, obedece a sua palavra. Não há nada de subjetivo nisso. Jesus disse que se permanecêssemos em sua palavra seriamos “verdadeiramente” seus discípulos, se Cristo disse que servíamos “verdadeiramente” é por que podemos ser “ falsamente”. Um falso discípulo não obedece a Jesus.

Um discípulo de Jesus o obedece com simplicidade. Se Jesus disse, perdoe, ele perdoa. Se Jesus disse, sirva, ele serve. Não há contestação na vida de um discípulo as ordens de Jesus. Se ele é um marido, ama a esposa como Cristo ama a igreja. Se for uma esposa, será amável, dócil e atenderá as necessidades do marido. Se for filho, ele tem o espírito do Filho, obedecendo e orando os pais em tudo.

5ª Característica – Ama a Igreja – Jo 13.34-35 – Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

Há gente na igreja que “se dá ao luxo” de ter amargura com seu irmão. Esse nunca poderá orar o Pai Nosso, “…e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores…”. Se há amargura no coração o que se segue é a maledicência, pois a boca fala do que está cheio o coração Lc 6.45. Esse é um campo que o diabo nem precisa ficar agindo, lançada a maledicência no meio dos irmãos eles mesmos se destroem. Uns ao serem maledicentes dizem: “Mas eu estava falando a verdade”. Se não fosse verdade não seria maledicência e sim calunia.

Mt 18.23-35 – Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.

Um discípulo de Jesus não tem nenhuma dificuldade em perdoar qualquer ofensa que algum irmão tenha cometido a ele, pois ele sabe que a ofensa que ele cometeu a Deus foi muito maior e ele foi perdoado.

Jesus disse que se teu irmão pecar contra ti vai ter como ele, isso é amar. Quem não argúi não ama. Um discípulo de Jesus ama a seus irmãos com um amor não fingido. Ele está interessado em cooperar com Deus na formação do caráter de Cristo em seu irmão, por isso não tem dificuldades de argüir. O que prende os novos na igreja como uma abelha preza ao mel é o amor.

6º Característica – Dá muito Fruto – Jo 15.8 – Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.

Um discípulo de Jesus dá muito fruto. Mais que fruto é esse? Nas escrituras existem dois frutos, o do Espírito Santo e o do discípulo. O fruto que o discípulo tem que dar não é o fruto do discípulo, pois esse ele já recebeu do Senhor.

Gl 5.22-23 – Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Esse é o fruto do Estpirito.

Jo 15.16 – Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

O Senhor nos designou para darmos frutos, e o nosso fruto permanece. Alguns textos nos ajudam a entender qual é esse fruto.

Mt 13.23 – Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.

Mt 25.14 – Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

O fruto do discípulo é tudo o lucro que Deus tem como conseqüência dos frutos do Espírito na vida do discípulo. Os 5 talentos que o senhor deu a um são os frutos do espírito, ou outros 5 que ele conseguiu são os frutos do discípulo. O que recebeu 1 e devolveu 1, esse só devolveu a Deus os frutos do Espírito, aquilo que o Senhor já havia lhe dado, esse não é um discípulo. Não podemos resumir o fruto do discípulo só em ganhar pessoas. Se um discípulo manifesta os frutos do Espírito que o Senhor lhe deu, logo as pessoas que convivem com ele, companheiro, discípulos, irmãos, serão influenciadas à Deus, os incrédulos que o discípulo convive são influenciados e alguns se convertem. Um discípulo que vive manifestando os frutos do Espírito colhe frutos pra Deus na vida de seus irmãos e na vida dos incrédulos que se converterão.

A vida de Cristo tem se multiplicado na vida dos que convivem comigo por minha causa? Se sim estou dando fruto.

A nossa preocupação não deve estar em dar frutos, mas em permanecer em Cristo, pois o que permanece em Cristo dá muito fruto.

“Os critérios de Deus não mudam”. Os critérios que Ele estabeleceu para um discípulo são os que ele exige.

A ceia do Senhor

“E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.”
(Mateus 26: 26-29)

Alguns consideram isso do ponto de vista físico, ou seja, afirmando que quando o pão e o cálice são abençoados, toda a substância do pão se converte no corpo do Senhor e toda a substância do fruto da videira é mudado em sangue do Senhor. É a transubstanciação.

Outros crêem do ponto de vista racional, argumentando que o pão e o vinho apenas representam o corpo e o sangue do Senhor.

Mas, Jesus não fala de transubstanciação e nem de representação, mas de realidade espiritual. Por trás daquilo que é bebido e comido está a realidade espiritual. Jesus disse: “Isto é o meu corpo” e não “Isto representa meu corpo”. E depois de dizer “Isto é o Meu sangue, o sangue da nova aliança”, o Senhor continuou dizendo: “Não beberei deste fruto da videira”, indicando claramente que o vinho não foi transubstanciado nem representa o sangue. Quando o Senhor fala do pão e do cálice, sua ênfase está na realidade.

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.”
(I Cor 10: 16-17)

É o pão, mas Paulo o reconhece como o Corpo de Cristo. É o cálice, ele o aceita como o sangue de Cristo. Paulo fala aqui de realidade espiritual e nada mais. Ele declara: “Nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo”. Como ele poderia dizer isso se não tivesse tocado a realidade espiritual.

A realidade espiritual que ele tocou é tão real que ele pode unir o “embora muitos” com o “somos um pão, um corpo”. Quando toma o pão, ele está verdadeiramente em comunhão com o corpo de Cristo, pois esqueceu o pão e agora está em contato com a realidade espiritual. Quando toma o cálice, ele está realmente em comunhão com o sangue de Cristo, pois esqueceu o fruto da videira e tocou a realidade espiritual. Tendo tocado a realidade espiritual, para ele palavra ou doutrina não representam problema.

Extraído do livro “Em que você baseia sua vida cristã: Realidade ou obsessão?” Watchman Nee

NOTA DO SITE

 “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.”
(I Cor. 12:12-14)

“E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.”
(Efésios 1: 22-23)

O corpo de Cristo (Igreja) não é algo separado Dele, pois sendo ele o Cabeça do corpo (Igreja), então a Igreja e Cristo formam um só corpo. Quando Saulo assolava a Igreja, Jesus perguntou a ele : “Saulo, porque me persegues” (Atos 9:4). Aqui está o fundamento da realidade espiritual da ceia.

Tal como no batismo, onde a água em si não tem poder algum, mas sim a esplendorosa realidade espiritual do batismo, assim ocorre com a ceia em relação ao vinho e o pão. Que o Senhor abra nossos olhos para entendermos essas realidades. Esta revelação conduzia os irmãos do primeiro século a uma prática da ceia com muita simplicidade (veja Atos 20:7 ; 2:41,46 ; 27:35).

Por isso a Bíblia alerta:

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR.”
I Cor. 11: 28-29

Fonte: Rei Eterno